Buscar
  • Alexandre Costa

REITORES E EX-REITORES DEFENDEM A DEMOCRACIA E AUTONOMIA DAS UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS

Atualizado: Set 30


O Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito publicou um vídeo, na segunda-feira (28/9), com manifestações de reitores e ex-reitores sobre a democracia e a autonomia nas universidades e nos institutos federais do país.

Desde que assumiu a presidência da República, o presidente Jair Bolsonaro tem desrespeitado as escolhas das comunidades acadêmicas de instituições federais de ensino superior, o que ocorreu em pelo menos 14 instituições. Em 12 Universidades, o presidente não nomeou o primeiro colocado na lista tríplice, conforme a tradição das últimas décadas. Em dois institutos federais de ensino superior, cuja comunidade, por lei, indica apenas um nome, o presidente indicou um reitor que não foi eleito pela comunidade. A escolha de Carlos André Bulhões Mendes para o cargo de reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), num total desrespeito à democracia e autonomia da Universidade, não é, portanto, um caso isolado.


A escolha de Carlos André Bulhões Mendes para o cargo de reitor da UFRGS, num total desrespeito à democracia e autonomia da Universidade, não é, portanto, um caso isolado.

Mantendo a tradição que vem desde o início dos anos 1990, a UFRGS realizou eleição para reitor na gestão de 2020-2024, na qual Bulhões Mendes ficou em terceiro lugar. Em função da epidemia do coronavírus, a consulta à comunidade acadêmica foi realizada exclusivamente por meio virtual, tendo alcançado a maior participação em toda a história da UFRGS.

O Conselho Superior da UFRGS, por sua vez, acatou os resultados da consulta e apresentou uma lista tríplice encabeçada pela chapa vencedora segundo as normas vigentes, respeitando rigorosamente tanto a legislação federal quanto o Estatuto da Universidade. Na composição da lista tríplice pelo Conselho Superior, Bulhões Mendes obteve apenas 3 votos, enquanto o primeiro colocado obteve 45 votos e a segunda 29 votos.


A nomeação de uma reitoria que não conta com amplo reconhecimento de sua comunidade acadêmica representa uma afronta à autonomia da universidade e um risco de retrocesso na trajetória de avanços constantes na qualidade de suas atividades, que levou a UFRGS à posição de primeira colocada entre as universidades federais do país por oito anos consecutivos, segundo avaliação do MEC.

MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE

O Diretório Central dos Estudantes da UFRGS promoveu alguns atos e protestos contra a nomeação de Bulhões Mendes para o cargo de reitor da UFRGS. Além disso, docentes, funcionários técnico-administrativos da universidade, diversas entidades de classe, movimentos sociais e centrais sindicais repudiaram a nomeação de Bulhões Mendes para o cargo de reitor.

No dia 24 de setembro, Hermes Zaneti, presidente da Subcomissão de Educação da Assembleia Nacional Constituinte, representou o Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito na sessão ordinária remota realizada na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, realizando uma manifestação sobre o desrespeito à autonomia e democracia na UFRGS.


A UFRGS é um patrimônio científico e cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, que precisa ter sua autonomia e democracia interna asseguradas.

16 visualizações