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  • Alexandre Costa

COMITÊ APÓIA NOTA DE REPÚDIO AO HOSPITAL DOM JOÃO BECKER PELA AGRESSÃO DE ACOMPANHANTE DE PACIENTE


O MOVIMENTO MENINAS CRESPAS vem manifestar à sociedade gaúcha e, em especial, à Diretoria do Hospital Dom João Becker, do município de Gravataí, assim como ao seu corpo de funcionários, seu sentimento de repúdio, indignação e revolta referente aos fatos ocorridos nessa instituição, em 18/04/2020, e que resultaram em uma violenta agressão que atingiu a Família Lopes Fonseca.


No último sábado, o senhor Everaldo da Silva Fonseca acompanhava sua esposa, senhora Maria Gonçalves Lopes, internada no Hospital Dom João Becker. Em determinado momento, o senhor Everaldo foi abordado pelos funcionários do hospital, que o acusaram do furto do celular pertencente a uma técnica de enfermagem. No mesmo instante, ele passou a ser insultado, aos berros e com ofensas racistas, e agredido fisicamente.


Sua esposa, que presenciava a agressão, começou a se debater, desesperada, e a gritar para defendê-lo. Ele foi então retirado à força do quarto, abaixo de agressões e aos prantos, e levado para fora da instituição. Ao acompanhar essa cena, sua companheira de mais de trinta anos sofreu um ataque cardíaco e veio a falecer.


As agressões ao senhor Everaldo só cessaram quando o celular foi encontrado numa sala em que os funcionários costumam ficar. Quando viram que toda aquela situação surgira de um “infeliz equívoco”, os funcionários ofereceram um suco e um lanche para o senhor Everaldo, com um simples pedido de desculpas. “Um equívoco” que custou ao agredido a perda de sua amada esposa, além da perda de sua dignidade como cidadão, como homem negro e, principalmente, como ser humano!


A perda de um ente querido é irreparável. E ficará para sempre gravada na alma da Família Lopes Fonseca. Porém, toda essa situação poderia ter sido evitada se os negros e negras fossem considerados cidadãos de fato e de direito na sociedade brasileira e gaúcha e se as instituições federais e estaduais aplicassem as leis de forma equânime para negros e brancos.


Exigimos não apenas uma simples retratação pública. Exigimos também uma reparação por danos morais, bem como a punição criminal de todos os envolvidos nessa agressão provocada e perpetrada de forma torpe e covarde, que teve como consequência a perda de uma vida inocente.


O Brasil só será um país civilizado quando a lei for igual para todos os seus cidadãos. Só assim, nós poderemos evitar que fatos como este continuem sendo lugar comum!


Perla da Silva dos Santos

PRESIDENTE DO MOVIMENTO MENINAS CRESPAS



LEIA MATÉRIA DO JORNAL BRASIL DE FATO / RS




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